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Relembrando um clássico: o Fusca Pé de Boi

Nos anos 1960, o Brasil passava por uma forte crise econômica no período inicial do governo militar. O país tinha passado por um recente processo de industrialização e, para tentar impulsionar a economia, o governo lançou um programa para estimular a venda de carros.

A estratégia foi disponibilizar empréstimos com juros subsidiados. Mas para tal, havia uma contrapartida para as montadoras: produzir carros de baixo custo. E assim nasceu um dos modelos mais clássicas da Volkswagen no mercado brasileiro: o Fusca Pé de Boi.

fusca pe de boi

Como o nome indica, o Pé de Boi era uma versão do Fusca de entrada, basicamente apenas com os itens essenciais. Isso deu início a uma grande era dos modelos espartanos no mercado nacional.

Apesar do Fusca ter ganhado versões bem simplificadas na Europa, o Pé de Boi se tornou um clássico justamente por levar esse aspecto ao extremo. E, por mudanças que visavam diminuir os custos, o modelo tem sutis diferenças no desenho e no acabamento que o tornaram um item de colecionador.

O Fusca Pé de Boi perdeu as partes cromadas, que ganharam acabamento de pintura branca, até mesmo no icônico anel ao redor do farol. Os para-choques são de lâmina única e o modelo conta apenas com um cano de descarga (embora o corte para a passagem do tubo adicional ficou intacto).

O modelo não tem camada acústica, revestimento no teto, tapete…

Os farois¹ do Fusca Pé de Boi são de cor única, já que ele não tem setas. Também faltam espelho retrovisor externo, quebra sol, borracha nos pedais de acelerador, freio e engrenagem, nem mesmo indicador de combustível. O estofamento é liso e os bancos não têm função de inclinação.

Para saber o nível do combustível, há um medidor no tanque, similar ao utilizado para aferir o óleo de motor.

anúncio clássico do fusca pé de boi

Se há algo que impressione ainda mais pela simplicidade é o painel. A superfície é praticamente lisa, mas mantém visível onde deveriam ficar o rádio e as saídas de som. O porta-luvas não tem tampa, sendo basicamente um buraco no painel.

O Pé de Boi era cerca de 25% mais barato que um Fusca comum. Ele foi produzido pela Volkswagen do Brasil entre 1965 e 1968. Após o período de recessão dar sinais de trégua, não havia mais motivo para produzir os modelos espartanos.

Ou seja, achar um Fusca Pé de Boi autêntico sem modificações não é tarefa fácil, o que o tornou o modelo um cult entre os entusiastas de modelos clássicos. A preservação desses modelos marca um importante episódio não somente da história da indústria brasileira, como da mobilidade urbana e da economia nacional.

Veja o vídeo abaixo e confira mais detalhes do veículo: